segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"Jogo é jogo e treino é treino"

Na primeira etapa do paranaense de squash do ano de 2011 foram alguns alunos comigo para disputar as suas respectivas categorias. E percebi que eles não rendiam iguais rendem aos treinos. Com jogos longe do que apresentavam ao longo dos meses de treinos, fui obrigado a me questionar sobre o meu método de ensino. E com uma rápida analise lembrei-me dos livros de treinamentos desportivos que lia na época da faculdade. Onde destacavam a importância de ter uma fase do treinamento que o aluno vivencie o torneio por si só. E acredito também que entrando neste assunto encontrei um dos motivos da falta de “caras novas” nas categorias iniciantes.
Por mais que meus alunos treinassem drops, voleios, paralelas, etc. E por mais que ficassem horas jogando com outros amigos de quadras, sempre na hora de disputar um torneio o seu rendimento caia. Muitos de vocês vão jogar a culpa apenas no fator psicológico, e sou obrigado a concordar, mas esquecemos que o fator psicológico pode ser treinado, não basta apenas colocar a culpa nele e deixar por isso. Esta é uma área pouco estudada nos esportes, mas acredito que com algumas medidas no decorrer do treinamento podemos melhorar o rendimento dos jogadores.
Em um determinado período do treinamento, a literatura nos traz que devemos adentrar no ciclo competitivo. Inscrever nossos jogadores nos torneios, para sentirem a adrenalina, a pressão, o nervosismo da competição. Sabemos que treinos ou jogos amistosos dificilmente ofereceram isso aos jogadores. E como queremos adquirir uma habilidade sem treino? Devemos submeter os jogadores a pressões freqüentes para que possam adquirir esta habilidade. Uma coisa é você acertar 50 drops consecutivos em treino, outra coisa é você acertar um drop em um jogo onde tem platéia, onde tem um placar, onde tem um árbitro, onde tem um adversário para se superar. Já dizia nosso grandioso jogador de futebol Didi: "Jogo é jogo e treino é treino". Quanto mais torneios os jogadores forem expostos, mais eles se acostumaram a jogar sobre pressão. E conforme as participações em torneios aumentem suas adaptações a isso aumentaram. Consecutivamente não só entraram nas quadras de squash mais calmo, mas sim também em salas de reuniões, em palestras, em exposições, etc.

Ensinar o squash sem torneios ou competições é uma aprendizagem incompleta. O que mais atrai as pessoas neste esporte é o lado competitivo, e se engana quem diz que não é. Você até pode no começo do jogo pensar que esta ali só por diversão, que não importa quem ganha e tudo, mas basta alguns pontos e você já estará mordendo a raquete para pegar as bolas e não deixar seu adversário fazer ponto.

Temos o exemplo de diversos jogadores que estão habituados a disputar torneios. Possuem mais calma no jogo. Aprendem a usar os fundamentos nos momentos certos. Se você esta procurando evoluir em seu jogo, além de continuar a treinar, aconselho procurar disputar torneios, você verá a diferença. É obvio que nos primeiros você sentira um frio na barriga, um nervosismo sem igual, muitas vezes dando vontade de fugir, mas acredite, com a pratica, com as disputas de alguns torneios, este nervosismo vai diminuindo e você aprenderá a controlá-lo. Ajudando-te até em fatos que acontecem no dia a dia. Duvida? Experimente então. Se arrisque a jogar alguns torneios para ver a experiência única que irá sentir. Mas te alerto, é uma sensação viciante.
Aproveitando a deixa, gostaria de incentivar os professores de squash pelo Brasil a fora a realizar torneios internos. Com isso, além de vocês aumentarem seus rendimentos, melhoraram os níveis dos seus alunos os deixando mais apaixonados pela modalidade, divulgaram o esporte, e o mais importante para o benefício do squash, encorajaram seus alunos novos a disputar torneios das federações. Pois o único modo burocrático de fazer crescer um esporte é tendo suas federações fortes, e com muitos inscritos em suas etapas. Um aluno que começou a jogar squash tem 1001 tipos de medo de entrar em um torneio estadual de squash, sendo que, para quem joga não é nenhum bicho de sete cabeças. Temos categorias para todos os níveis, onde TODOS se encaixam. A questão é, por que não jogam então? Por medo! Medo de passar vergonha, medo de fazer feio diante da platéia. E através de torneios internos, vamos conseguindo familiarizá-los e encorajá-los aos campeonatos. Começaram a ver que não é tão impossível participar de um paranaense, de um catarinense, de um gaucho... de um brasileiro. Fazendo crescer o esporte em proporções alarmantes.
Após estas reflexões feitas no caminho de volta da 1ª etapa do paranaense de 2011, decidi criar o circuito regional de squash, reunindo meus alunos de Maringá, Londrina e Arapongas e outros alunos das academias de squash nas redondezas. Foi um dos meus melhores feitos. Os jogadores fazem intercâmbio entre eles, se familiarizam, se confraternizam. Não a duvidas que o nível técnico da região norte do Paraná melhorou demais após o inicio deste circuito. E quem participa de uma etapa acaba se fidelizando mais ainda ao squash, e com certeza estes que estão participando pela primeira vez criaram um "ciclo vicioso”, onde terá sempre um objetivo ao alcançar, sendo ganhar a categoria iniciante do torneio interno de sua academia, até ganhar a 1ª classe do brasileiro.
Para finalizar quero dar uma dica para duas pessoas em especial. Primeira ao professor de squash; por favor, organize torneios internos, faça rankings para o bem do squash nacional. E a segunda pessoa; é para você jogador de squash que nunca participou de um torneio. Tenho apenas uma palavra para dizer a você: COMEÇE! Se inscreva, seja você de qualquer faixa etária e sexo. Venha prestigiar os torneios, entre em um mundo de diversão e adrenalina que você nunca experimentou. Perca o medo. E não se decepcione se perder no primeiro jogo. Treine mais para que no próximo você consiga passar a barreira da primeira vitória em torneios, depois treine mais para ficar entre os tops de sua categoria, depois mais para ganhar sua categoria e ser promovido.
Está esperando o que? Aqui na região norte do Paraná não tem desculpas para não participar. Temos torneios internos nas academias quase mensalmente. Temos o circuito regional com sete etapas ao longo do ano, tendo diversas categorias, inclusive a iniciante, e aberta ao público. Temos o circuito paranaense de squash que é completamente fascinante jogar. Então pessoal os degraus estão construídos e postos a vossa frente, basta apenas você subir o primeiro degrau e se deixar levar pelos torneios no Brasil a fora.


FÁBIO LUIZ MILANI




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Futuro do Squash

Em 1997 um até então desconhecido, franzino, com roupa de surfista, brasileiro, adentrava para jogar um dos torneios mais importantes de tênis do mundo. Não estava nem entre os 50 melhores jogadores do ranking mundial. Chamou a atenção do público e do mundo pelo seu movimento de backhand agressivo, potente e preciso, e por vitorias memoráveis. Gustavo Kuerten, popularmente conhecido como Guga, conquistaria pela primeira vez um titulo de Grand Slam, titulo este que veio a se repetir mais duas vezes, o tão charmoso Roland Garros. A partir dessa primeira conquista as academias e clubes de tênis se encheram de crianças, escolinhas especializadas na modalidade tinham enormes filas de espera.
Um grande exemplo  da importância de se ter um ídolo no esporte. Imagina se surgisse um Guga do squash? Como não seria? As quadras de squash cheias de crianças, o que hoje em dia é difícil de acontecer. Atualmente o Brasil sofre com uma carência enorme de crianças no squash, com suas cuidadosas exceções que logo vou comentar. Mas a questão é que em um brasileiro juvenil de squash não conseguimos atingir se quer 50 inscritos. É triste, pois todos sabem que a infância e a juventude é o futuro de uma sociedade. E como será o squash daqui a poucos anos, quando estivermos pendurando as raquetes? Quem irá freqüentar as quadras deste esporte que tanto amamos? Sempre pego um exemplo simples disso, este ano será o sétimo circuito paranaense de squash que representarei Maringá, nestes sete anos tenho contado nos dedos de uma mão as crianças que participaram destas etapas.
Em sete anos, presenciei o domínio da categoria principal, passar nas mãos dos sempre mesmos jogadores: Cacibo Buffara, Mauro Maes e eu. A exceção que tivemos foi Pedro Mometto, jovem promessa de Santa Catarina surgiu e logo dominava a categoria principal. Apenas ele. O que me preocupa é olhar nas categorias juvenis do paranaense e ver poucos nomes. Vou até sita-los aqui: Ronivaldo Junior, Gustavo Pizzato, Maria Julia Romano, Vinicius Cansini e Victoria Cansini. É claro o que me preocupa não é vê-los jogando, muito pelo contrario, me abrilhanta os olhos quando eles jogam. Enche-me de esperança saber que daqui uns dois ou três anos eles estarão em disputa conosco da 1ª classe. O que me preocupa é a ausência dos demais.
Precisamos de mais pessoas com o espírito do nosso presidente da FSP (Federação de Squash do Paraná), Cezar Cansini, que graças a ele, ainda temos estes nomes, caso contrario, não haveria nenhum. Precisamos de incentivos para nossas crianças, levar o squash para os colégios, atraí-las para as quadras, mostrar o que é o squash. Preparar projetos em academias e clubes para incentivar os jovens, com preços especiais, aulões para turmas do ensino fundamental de colégios, para que eles possam vivenciar o esporte.
Para se ter um ídolo, precisamos regaçar as mangas, e buscar essas crianças em suas casas, tira-las de frente de seus computadores e vídeo games. Pois depois que surgir um “Guga” no squash apenas se colherá os frutos. Haverá filas de crianças para fazer aulas de squash, e consecutivamente longa vida ao Squash. Mas se não nos mexermos, não haverá crianças jogando e treinando, consecutivamente não haverá jogadores brilhantes brasileiros para disputar com os Egípcios e Ingleses (pois para competir com eles, apenas fazendo um trabalho de longo prazo desde a infância até a fase adulta), consecutivamente não haverá ídolos brasileiros no Squash, virando deste jeito um ciclo vicioso. É o que temos hoje em dia. Para finalizar, volto a chamar a atenção de vocês para as exceções no Brasil de jovens promessas. É de se tirar o chapéu e copiar o exemplo que os mineiros têm. Muitas crianças jogando. Jovens de 10 a 15 anos com um alto nível de jogo. Também um belo exemplo em Curitiba, onde temos academias e clubes fazendo um trabalho paralelo com a FSP de incentivo as crianças, com aulas de baixo custo ou gratuitas para nossos jovens. Mas precisamos de mais lugares fazendo isso, mais divulgação do esporte para os infantos juvenis que pouco conhecem o Squash. Vamos fazer um celeiro de atletas no Paraná. Por que não formar o “Guga” do squash aqui no nosso Estado, na nossa cidade, no nosso clube ou academia.
Grande abraço a todos.
Fábio Luiz Milani

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Squash Rumo aos Jogos Olímpicos de 2020

Será a terceira tentativa da Federação Mundial de Squash (WSF) introduzir o squash nos jogos olímpicos. Depois de 2 insucessos a bola da vez agora são os jogos olímpicos de 2020, ainda sem sede definida. Com alterações significativas em suas regras, nas tecnologias aplicadas nos torneios e o crescente número de participantes acredito que dessa vez conseguiremos nos tornas um esporte olímpico.
Após ter sido barrado das Olimpíadas de Londrés deste ano e das Olimpíadas do Rio em 2016 o COI fez uma lista de mudanças para que o Squash se enquadrasse nos jogos. A maior parte já feita pela WSF, como: sistema de 3 árbitros, replays de bolas duvidosas, as tão atraentes quadas de vidro a unificação da pontuação  e a mesma tecnologia de rastreamento de bola utilizada no tênis. Medidas estas já notadas pelos organizadores do COI, pois em julho de 2011 o squash foi introduzido novamente para a lista dos esportes em potencial para as Olimpíadas.
Uma das mudanças mais significativas para a crescente popularização do esporte, foram as introduções das quadras de vidros em lugares públicos, aumentando a visibilidade do público e melhorando as transmissões pela TV. Outra mudança significativa para o esporte foi a unificação dos pontos. Quem joga a mais tempo deve se lembrar da bagunça que era: "vamos jogar até quanto? até 9 com vantagem, até 15 sem vantagem, até 11...". Realmente nosso esporte esta mudando para melhor, esta se profissionalizando, e acredito que dessa vez nos tornaremos um esporte olímpico.
A modalidade tem se tornado cada vez mais relevante pro esporte mundial, atraindo muitos adeptos (só no Brasil, estima-se 80 mil jogadores). Segundo o presidente da WSF, o indiano Rami Ramachandran, o squash preenche todos os critérios para se tornar um esporte Olímpico, tais como presença forte nas categorias master e juvenil, campeonatos e embates cada vez mais competitivos e ser considerado um dos esportes mais saudáveis do mundo por diversas revistas conceituadas na área da saúde.
Agora ficamos na torcida a decisão será tomada em setembro de 2013, onde o COI se reunirá em Buenos Aires para definir se o Squash se tornará um esporte olímpico ou mais uma vez deixar-a de fora. Se depender de nós isso já esta garantido.


Grande abraços a todos
Fábio Milani