Em 1997 um até então desconhecido, franzino, com roupa de surfista, brasileiro, adentrava para jogar um dos torneios mais importantes de tênis do mundo. Não estava nem entre os 50 melhores jogadores do ranking mundial. Chamou a atenção do público e do mundo pelo seu movimento de backhand agressivo, potente e preciso, e por vitorias memoráveis. Gustavo Kuerten, popularmente conhecido como Guga, conquistaria pela primeira vez um titulo de Grand Slam, titulo este que veio a se repetir mais duas vezes, o tão charmoso Roland Garros. A partir dessa primeira conquista as academias e clubes de tênis se encheram de crianças, escolinhas especializadas na modalidade tinham enormes filas de espera.
Um grande exemplo da importância de se ter um ídolo no esporte. Imagina se surgisse um Guga do squash? Como não seria? As quadras de squash cheias de crianças, o que hoje em dia é difícil de acontecer. Atualmente o Brasil sofre com uma carência enorme de crianças no squash, com suas cuidadosas exceções que logo vou comentar. Mas a questão é que em um brasileiro juvenil de squash não conseguimos atingir se quer 50 inscritos. É triste, pois todos sabem que a infância e a juventude é o futuro de uma sociedade. E como será o squash daqui a poucos anos, quando estivermos pendurando as raquetes? Quem irá freqüentar as quadras deste esporte que tanto amamos? Sempre pego um exemplo simples disso, este ano será o sétimo circuito paranaense de squash que representarei Maringá, nestes sete anos tenho contado nos dedos de uma mão as crianças que participaram destas etapas.
Em sete anos, presenciei o domínio da categoria principal, passar nas mãos dos sempre mesmos jogadores: Cacibo Buffara, Mauro Maes e eu. A exceção que tivemos foi Pedro Mometto, jovem promessa de Santa Catarina surgiu e logo dominava a categoria principal. Apenas ele. O que me preocupa é olhar nas categorias juvenis do paranaense e ver poucos nomes. Vou até sita-los aqui: Ronivaldo Junior, Gustavo Pizzato, Maria Julia Romano, Vinicius Cansini e Victoria Cansini. É claro o que me preocupa não é vê-los jogando, muito pelo contrario, me abrilhanta os olhos quando eles jogam. Enche-me de esperança saber que daqui uns dois ou três anos eles estarão em disputa conosco da 1ª classe. O que me preocupa é a ausência dos demais. Precisamos de mais pessoas com o espírito do nosso presidente da FSP (Federação de Squash do Paraná), Cezar Cansini, que graças a ele, ainda temos estes nomes, caso contrario, não haveria nenhum. Precisamos de incentivos para nossas crianças, levar o squash para os colégios, atraí-las para as quadras, mostrar o que é o squash. Preparar projetos em academias e clubes para incentivar os jovens, com preços especiais, aulões para turmas do ensino fundamental de colégios, para que eles possam vivenciar o esporte.
Para se ter um ídolo, precisamos regaçar as mangas, e buscar essas crianças em suas casas, tira-las de frente de seus computadores e vídeo games. Pois depois que surgir um “Guga” no squash apenas se colherá os frutos. Haverá filas de crianças para fazer aulas de squash, e consecutivamente longa vida ao Squash. Mas se não nos mexermos, não haverá crianças jogando e treinando, consecutivamente não haverá jogadores brilhantes brasileiros para disputar com os Egípcios e Ingleses (pois para competir com eles, apenas fazendo um trabalho de longo prazo desde a infância até a fase adulta), consecutivamente não haverá ídolos brasileiros no Squash, virando deste jeito um ciclo vicioso. É o que temos hoje em dia. Para finalizar, volto a chamar a atenção de vocês para as exceções no Brasil de jovens promessas. É de se tirar o chapéu e copiar o exemplo que os mineiros têm. Muitas crianças jogando. Jovens de 10 a 15 anos com um alto nível de jogo. Também um belo exemplo em Curitiba, onde temos academias e clubes fazendo um trabalho paralelo com a FSP de incentivo as crianças, com aulas de baixo custo ou gratuitas para nossos jovens. Mas precisamos de mais lugares fazendo isso, mais divulgação do esporte para os infantos juvenis que pouco conhecem o Squash. Vamos fazer um celeiro de atletas no Paraná. Por que não formar o “Guga” do squash aqui no nosso Estado, na nossa cidade, no nosso clube ou academia.
Grande abraço a todos.
Fábio Luiz Milani
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